Os americanos tem um pavor de jogar o tradicionalismo deles para a lata do lixo e dar o braço à torcer para a eficiência tecnológica. Prova disso é o Mustang "Fox", feito entre 1979 e 1993.
A começar pela plataforma, ela é monobloco. O que é até surpreendente para um carro de layout FR. No caso do Mustang, o entre-eixos é de somente 2.55 m de comprimento. No geral o carro manteve os 4.56 m de comprimento ao longo da geração, largura em 1.73 m, altura em 1.31 m e peso em média de 1200 à 1300 kg. Somente com a proporção de base 1.47 a gente tem uma noção do quanto dá pra tunar esse carro. E deve ser uma delícia poder dirigir esse carro todo aliviado aos 1000-1100 kg, somente com alguns reforços internos extras. Nada de gaiola invasiva!
Existem outros endinheirados que enfiam rios de dinheiro para fazer projetinhos bem extremos, mas eu não creio que seja necessário um gasto exacerbado. Sobretudo por um carro que hoje só serviria nas categorias de base de acesso ao automobilismo. Talvez hajam regras mais rígidas sobre carros de produção vs. plataformas descontinuadas, mas ainda dá pra se divertir com um Mustang do jeito certo. Eu recomendo a carroceria coupe e hatch. Sem as placas "T-top" ou teto solar. Os conversíveis torcem um pouco, além de precisarem de uma boa impermeabilização do teto contra sol, água e poeira.
Nos USA existem empresas que conseguiram fabricar kits de suspensão traseira independente para os Mustang Fox. O eixo rígido obriga o motorista a dirigir com mais cuidado, mas para quem sente aquele 0,1% de diferença no dia-a-dia e na pista, talvez compense. Na oferta de motores, vale praticamente qualquer coisa ali dentro, caso você seja um tuner ao extremo. Mas mesmo os motores velhos ainda são uma boa opção em conta. O I4 de 2.3 litros é SOHC e gerava uns 90 cv original. Na versão final da SVO, atingia o ápice de 190 cv. Praticamente o dobro da potência original. Eu não suspeito que uma faixa real de 200-250 cv seja suficiente até para o dia-a-dia. O Ecoboost 2.3, apesar das técnicas modernas, é muito mais feito para gerar torque do que potência. O 2.3 SOHC também chamado de "Lima" ou "Pinto", tem 96 mm de diâmetro e 79 mm de curso. O 2.3 Ecoboost tem 87 mm de diâmetro por 94 mm de curso. Fique com o velho SOHC mesmo.
Se for de V6, vá com de SHO, Duratec e Cyclone. E para a turminha dos V8, novamente os SHO (procure saber sobre como consertar o problema do comando) mas também os Modular. A ideia aqui é sempre ir para os motores pequenos. Motores grandes e/ou OHV já estão completamente manjados e não oferecem nenhum ganho de performance. Depois que eu descobri que o conjunto OHV tira uns 1500 rpm de eficiência do motor, nunca mais quis saber da ilusão do OHV. Quem curte lixo OHV, pra mim é machola completo, sofredor voluntário.
É um erro querer usar o Mustang Fox como um carro dragger (arrancada). Todas as excelentes qualidades desse carro só podem ser aproveitadas em condições de touring, drift ou rally. E incontáveis sofredores vão continuar torrando rios de dinheiro dolorosamente acumulados tentando obter algum recorde inútil de aceleração num carro que nasceu abraçando as curvas. Mas, não tenho pena desse povinho. Se pudesse, expropriava alguns para mim, só para fazer graça na cara deles e saciar o meu prazer de tunar todos ao maior estilo "jdm". É uma pena que este carro não tenha vindo com suspensão traseira independente já naquela época. Enquanto os japoneses e europeus curtiam a verdadeira performance absoluta, os americanos corriam "mancos". Foram cerca de 2.500.000 de unidades fabricadas, um sucesso tão absoluto quanto o Mustang II que o precedeu.
Mas, vocês sabem como são os "sonacimera". Não são dignos de terem uma joia sequer em mãos, povinho sem rumo. Me avisem para quando eu for nos USA, trazer metade destes carros para o Brasil. Eles realmente não merecem.

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