Quando o americano é chamado de "estadense" ou "statean", ele pira na batatinha. Até porque, ele precisou convencer 99% do resto do mundo que os únicos indivíduos dignos de se sentirem e serem americanos nascidos no continente americano dentro de uma ideia burra de pureza étnica, são eles. Atualmente, eles mesmos não percebem que o resto do mundo vivem em plena harmonia, mas que seus ancestrais colonizadores britânicos, alemães, franceses, italianos, suecos e afins talvez tenham cometido um grave erro ao se isolarem naquela porção norte do continente.
"Terra da liberdade", mas a liberdade só vale para quem não criticar o governo.
"Economia forte", mas a força vem de sancionar, atacar, limitar, intimidar outros povos com regrinhas econômicas que eles mesmos não seguem.
"Democracia", mas todas as escolhas vão continuar passando pela vontade de uma enorme massa de mulheres e homens brancos, sendo que se as minorias tiverem uma razão melhor e mais eficiente, elas serão dizimadas sem dó nem piedade.
"Diplomacia", mas todas as organizações tem que obedecer somente ao país que mais vive ameaçando militarmente os outros, ainda que a efetividade de suas armas e seu ímpeto violento sejam bem duvidosos.
"Cultura sólida", mas toda cultura mundial deve se submeter ao gosto americano para ser vista e aprovada pelo resto do mundo.
Acho que China, Japão e Coréia só acabaram mostrando para o mundo que os americanos simplesmente não prestam nem para inventar um palito de dentes automático.
E é interessante ver que os tais carros americanos que eu poderia considerar como modernos e eficientes nasceram de uma cultura que decaiu completamente em detrimento do surgimento de uma nova era para a qual aquele povo não estava preparado. Nunca esteve; os estadenses gostam mesmo é de viverem numa bolha. Seria isso um caso histórico infinitamente pior que o de Brasil e Japão? Porque eu sei que Brasil e Japão viveram seus séculos de isolamento, mas isso se deve muito à fatores muito mais globais das respectivas épocas do que um embotamento agudo e voluntário da população. Esther Villar explica direitinho isso, mas prefiro falar dos carros.
Quando os primeiros Camaro "wedge" saíram das pranchetas, os estadenses amarguraram ao dizer que aquilo não era legitimamente um Camaro de honrar a tradição isolacionista bolhosa. Era um carro feito para ser tudo aquilo que os estadenses mais odiavam: economia e eficiência. Até porque, se os estadenses realmente quisessem uma amarga prova do quão eficientes os carros japoneses eram, teriam baixado todas as pesadas taxas de importação impostas aos japoneses e deixado o verdadeiro livre-mercado funcionar. O resultado? Chevrolet, Ford e Dodge já teriam deixado de existir ainda nos 1980s.
Veja bem que os americanos só foram projetar um compacto que prestasse com o Dodge Neon, o carro que foi designado o "matador de Civics". Onde está o Neon hoje? Os americanos não conseguem nem assumir que a culpa é deles mesmos. Também pudera; continuarão sonhando com os ilusórios dias gloriosos de um passado onde tudo arcaico era melhor, sem necessariamente ter sido melhor. E o Honda Civic? Sobrevivendo e se adaptando mesmo no pior dos cenários. O mesmo para os coreanos com seu Elantra e HB20.
Sabe porquê eles não querem deixar os chineses venderem carros chineses na terrinha nojenta deles? Por simples burrice ideológica. Mas neste ponto da história eu duvido que os estadenses conseguiriam se sacrificar num esforço coletivo sobrehumano para enfim fabricar carros elétricos tão ou mais eficientes do que os chineses. Os chineses ganharam bem mais do que uma guerra; ganharam o mundo sem fazer absolutamente nada. Ou então fazendo exatamente o contrário do que os estadenses. E mesmo o viralatismo dos coreanos e japoneses, ainda é um viralatismo de luxo por terem suas próprias fábricas, produtos e cultura valorizados por eles mesmos.
Os estadenses tem o costume de pinçarem individualmente (cherry picking) somente as coisas que eles querem, ao invés de procurarem abraçar filosofias diferentes para se adaptarem e sobreviverem às constantes transformações do mundo. Mas aqui é que chegamos no ponto final da história que o resto do mundo já deveria ter percebido. Os estadenses não vão querer aprender nada com o resto do mundo e nem mudar de postura. Vão caminhar rumo a própria autodestruição, pois isto está amarrado na própria noção de vida deles. O isolamento é agravado tanto pela geografia quanto pela cultura, não há nada que possa ser feito.
Eu aqui, na América do sul, antipodal do leste da Ásia, só posso me congratular por ter percebido tudo isso antes de todo mundo e ter mudado completamente de filosofia para lá. O povo que sempre se julgou ser "o povo dos sonhos", na verdade, esconde um terrível pesadelo sem fim de si mesmo. Só sobram lamentos dos seus futuros descendentes.

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