E não é mesmo!
Ter um Civic velho por lá, só pra rodar, é exatamente o sinônimo de contrariar um sistema econômico e cultural completamente falido. Mas... boa sorte sendo um "tuner" pagando mais 25% de taxa sobre peças importadas do Japão ou Alemanha, enquanto o presidente valoriza a produção nacional de V8s que nem o americano rico está conseguindo pagar.
Peraí! Nenhum jornalista do Flatout quer te contar essa realidade? Relaxa e vem comigo nessa história somente aqui com seu querido: Maquinólogo!
Para eles, somente um Fiero a ser destruído num filme de franquia BOSTA. Para nós, mais um eterno esportivo compacto de uso diário.
Por trás de toda aquela "curtição" pra cima dos automóveis, existe um país inteiro que excessivamente dependente de automóveis. Sim, a coisa por lá é bem pior do que no Brasil, porque por aqui ao menos você tem alguma estrutura de transporte coletivo. Poderia ser melhor na qualidade? Claro que sim, vontade e dinheiro não faltam. O que falta é mais honestidade e realidade. Os "gearheads" talvez não entendam exatamente porquê as ferrovias são importantes para um país, mas a considerar que grande parte da Ásia e da Europa que se desenvolveram melhor com elas, é algo que deveria inspirar a fazer o mesmo por aqui.
Precisei assistir um video de 15 minutos de um americano explicando como foi desenvolvido o sistema viário e até mesmo a forma como a urbanização privilegiou excessivamente o uso de automóveis por lá. E, por incrível que pareça, o Brasil está em melhores condições urbanas de conservar e expandir áreas verdes do que criar rodovias. Algo parecido com o Japão, onde as estradas são obrigadas a obedecer a topografia e a flora local. Alguns comodistas diriam que isso é "frescura" ambientalista, mas eu que amo o capitalismo de livre mercado passei a respeitar a touge (estrada de montanha) muito mais do que a rodovia longa e plana que só cria folgados ao volante. Sim, até em termos de rodovias, o Japão é referência majoritária. Especialmente para o Brasil.
Americano DETESTA curva! Sendo assim, eu fui mais inteligente e abracei todas.
E há quem se engane que uma estrada de terra não seria o suficiente. O meu recente gosto por rally me mostrou exatamente porque preservar a natureza faz bem. Você não quer perder a chance de desafiar seus próprios cálculos mentais ao executar aquela curva certeira com o solo abaixo entre o estático e o móvel. Se diversos Fiat Uno conseguem cruzar tranquilamente um lamaçal melhor do que as pesadas pickups e seus sistemas 4x4, quem sou eu para duvidar de que o rally no Brasil possa vir a ser uma excelente vitrine para as montadoras, autopeças e criar gerações de excelentes pilotos, né...
E todos aqueles enormes números de vendas de carros esportivos nos USA?
NSX abandonado como tantos outros Civic, Integra, Accord, Delsol, Prelude e Swinger em diversas garagens, jardins e ferro-velhos de lá... Carro de professor, secretária, padeiro, eletricista, costureiro, vendedor de horti-fruti...
Na prática mesmo, seguindo a decadência da urbanização americana, algumas pessoas acabam comprando os tais carrinhos esportivos apenas por conveniência. Quer a prova através da lógica científica matemática? Ok! Porquê não vemos diversos pilotos americanos na Formula 1, no WRC, no WEC, no JGTC, D1 e até na Stock Car Brasil, se lá eles tem mais acesso à esses carros esportivos, então? Uma coisa levaria diretamente a outra, né?
Então... é aqui que a realidade vem com a honestidade. USA nunca foi e jamais será o paraíso automotivo. Talvez fosse nos 1950s ou 1970s quando a indústria local produzia aquelas barcas para que pilotos pudessem correr no IMSA, Trans Am, NASCAR e afins. Depois disso, é muito difícil argumentar à favor dos números de venda bruta. O Miata vende bem nos USA, mas a retenção dele no Japão é muito maior. Até em níveis per capita, fica mais claro porquê os alemães curtem mais os esportivos deles do que os americanos. A DTM era a vitrine dos fabricantes. E olha que a Alemanha é um país bem complicado para ter carro em detrimento dos impostos.
Talvez seja o paraíso para TRABALHAR com os carros, seja como fabricante, piloto de testes, vistoriador, despachante, importador, exportador, mecânico, usineiro, equipe de corridas ou até piloto-dublê do que ser só mais um cidadão no dia-a-dia com seu Miata velho. Quer prova disso? Ford e Cadillac estão na Formula 1. Deve ter mais grana sobrando na Europa, justamente devido a essa limitação financeira voluntária que a própria categoria impôs a si mesma. Precisou de um americano gravar um video inteiro citando quais seriam os - teóricos - melhores estados dos USA para ser um "gearhead":
https://www.youtube.com/watch?v=U4-tNwm3nvA
As fotos nos websites de redes sociais enganam muito bem sobre a vida de "tuner" por lá.
E dá-lhe mais rebeldia adorando os ensinamentos da filosofia japonesa no seu Civic diário. Não é pra colixonar e achar que está fazendo o melhor negócio do mundo, brazuca babaca! Vale tanto quanto qualquer bosta de Uno por aqui. Ajustemos os ponteiros econômicos da nossa realidade para deixarmos o mundo para trás.
Se você é brasileiro, faça me um favor: pare de copiar o lixo estrangeiro. Passe mais alguns meses descobrindo o que Gran Turismo, Need For Speed, Subaru Cometa, Over-Rev, Open Car Girls, Shakotan Boogie e afins estão realmente tentando te ensinar e deixe os mexânicos de tentativa e erro se perderem naqueles mapas de mistura que nem eles entendem direito. Akio Toyoda, o CEO da Toyota, provavelmente entende menos de acerto do que o querido "ACF", mas... ele tem paixão e uma empresa nas mãos. Era pro ricardinho estar ganhando essa corrida, mas... Já não era para alguns brazuquinhas terem acordado e largado a mão de ajudar estrangeiro e começarem a ser honestos e facilitarem para pessoas da sua própria nacionalidade?
Vale menos do que muito Omega velho por aqui. Recuse a economia nominal.
A começar baixando completamente os preços dos carros, sobretudo usados, sobretudo importados, sobretudo esportivos. Em seguida, propondo um jeito mais delicado e suave de curtir a performance original, com leves incrementos sem pesar no bolso. Nada de violência, nada de expectativas exorbitantes. Se eu tivesse que obrigar todo mané com um Eclipse a instalar um kit AWD com os R$ 150.000 que ele torrou na "restauração" ou "preparada"... mas... é preciso ser ambivalente também. Se ele quer se lascar enfiando tudo no motor e esquecendo do resto, ótimo também. Pelo preço de 400 cv, dava pra ter 200 com AWD.
Não sou um gênio da performance, mas pelo visto vocês estão precisando urgentemente de um. Mesmo que só eu perceba isso escondido e intocado dentro de vocês.
Aliás, o próximo post vai ser realmente sobre como o Brasil é o verdadeiro paraíso da cultura automotiva. Poderia ser o Japão, poderia ser a Alemanha e definitivamente não é os Estados Unidos! É o Brasil - e mais uns outros países na esteira.
Bem vindo ao Maquinólogo!







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