terça-feira, 14 de julho de 2026

O melhor atalho é ter uma expectativa pequena.

Digo isso porque descobrir um atalho é basicamente guardar um segredo à sete chaves. Quando aprendi realmente sobre o que significa ser um tuner, vários anos de conhecimento do meu curso de mecânica no Senai só foram fazer sentido bem mais tarde. Mas foi esse tempo que me garantiu uma segurança em diversas formas.

Em se tratando de peças de carros, existem de todos os tipos e fórmulas. E sim, até mesmo algumas falsificadas conseguem impressionar pela qualidade. Na verdade, a palavra falsificada tende a ser usada no lugar de "baixa qualidade" e determinar uma peça pela qualidade requer paciência e conhecimento. Eu não tenho dúvidas de que a maioria dos apaixonados por carro não conseguiriam distinguir uma excelente réplica de uma excelente original.


Como nascem as RS Watanabe? Ah é só catar umas latinhas, derreter, jogar o líquido num molde e rezar pra dar certo. Elas nascem no meio do entulho e ocidental bobalhão chama isso de "craftsman samurai", e continuam sendo imperfeitas pra americano e europeu trouxa torrar grana. Mas não repara não, tá.

Se você já tem a mente tranquila, sabe muito bem escolher um bom jogo de pneus e rodas para o seu carro. Mas, quando o Larry Chen me mostrou um video sobre a fabricação manual das queridinhas Watanabe, eu fico me perguntando: onde estão as vozes bravas xingando os japoneses por uma qualidade tão baixa? Não era para as Watanabe justamente serem tidas como porcaria, uma vez que o molde e usinagem delas é totalmente manual, praticamente artesanal? Cadê a tal "qualidade industrial"?

Pois é, pois é, pois é...

Mesmo uma roda original de fábrica, bem mais simples, consegue ser mais eficiente do que uma de liga feita por alguma marca popular, independente da qualidade. Eu devia é ficar totalmente irritado com a qualidade do "tuning" que vem sendo feito e difundido pela cultura automotiva ao redor. Sobretudo quando se usa uma peça de performance apenas para um fim mais estético. Porque uma coisa é usar uma peça de má qualidade apenas para fins estéticos, outra coisa é desperdiçar dinheiro com uma peça de boa qualidade também para fins estéticos.

É "feio" mas é feito pra correr no track day. Se for pra enfeitar, melhor comprar só a miniatura mesmo.

Acho que o ponto principal de quem fabrica as peças réplicas é a de que eles (os fabricantes) tem todo o maquinário pronto para fazer a coisa acontecer, mas esquecem que, diante de um modelo de negócios tão lucrativo, o lucro não pode vir com "etiqueta". Você sabem muito bem o que eu penso sobre ética vs etiqueta, não preciso explicar. Com todo esse maquinário, custa muito adotar uma metodologia de fabricação que tenha (1) elaboração do projeto, (2) teste de materiais, (3) procedimentos de produção, (4) controle de qualidade e (5) homologação?

Seria muito fácil me acusarem de estar "defendendo a pirataria", mas eu acredito e tenho certeza absoluta que o problema está nas entranhas de quem vai morrer defendendo o sistema. O protecionismo e o monopólio econômico residindo no cérebro de certas pessoas, que vão tomar como verdade absoluta o fato de uma peça ser necessariamente melhor só porque foi feita por uma marca popular, que tenha uma quantidade de vendas bem expressiva e independente do preço nominal.

Quantos de nós saberíamos diferenciar uma Volk de uma "Folk"? É isso que eu pergunto a todo mundo do Flatout. Tirando uma análise química de materiais, de resto não dá pra identificar uma réplica de uma original somente pelo peso. A foto com a pesagem pode muito bem levar a um "falso negativo". Ambas as rodas pesam praticamente a mesma coisa e dificilmente um piloto profissional sentiria a diferença no volante, à não ser que um medidor de forças "G" acusasse variações numa telemetria de pista. E ainda sim é só 50% do que veríamos num laboratório.

(Na prática, EU até sei um truque sobre as rodas, mas posso te garantir que faço isso mais para mim mesmo e somente com a concentração absoluta de um monge eu poderia determinar qual é a original e a réplica.)


Alguns malucos já descobriram o prazer do que chamam lá fora de OEM+, ou o que eu chamo aqui de "tuning leve". Talvez a melhor receita de tuning não seja a mais extrema. Quando se tem uma biblioteca mental de conhecimentos, usa se o cérebro no modo "computador" para definir o que realmente vale à pena. O Skyline azul deve rodar bem com essas rodas aro 17 ou 18, mas o Skyline sedan com as pequeninas BBS aro 15 proporciona melhor aceleração, frenagem e elasticidade nas curvas. Porém, o meu aviso é bem ambivalente: eu deixo você usar um rodão para passar uma impressão de velocidade, só não queira provar a qualidade na pista, porque eu já sei que você vai perder passando por cima da primeira pedrinha. Sua roda simplesmente exige mais esforço do conjunto motriz para acelerar, frear e contornar curvas.

Física básica, né meu querido! Lá fora, na 'Muricka, na Zooropa e no Parque Internacional do Japill vende-se muito uma imagem que não corresponde nem 10% ao que eu penso que eles devem pensar de performance. Portanto, não se preocupe com aquelas maravilhosas fotos de carros raspando o chão e não deixando nem formiguinha passar. Ultrace, Sema, Tokyo Auto Salon, Wekfest são bons apenas para aquele pedaço infantil da nossa imaginação. Mas é preciso o toque delicado da racionalidade adulta para fazer o melhor dos dois mundos acontecer.

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