Por mais que os números de potência, torque e velocidade impressionem, por mais que os estouros de regurgito de mistura no motor ecoem centenas de metros, por mais que a forma de condução seja motivada por executar manobras inúteis e fora de uma competição oficial, se você é HOMEM, certamente vai demorar muito para saber que existe algo bem podre exatamente nesse tipo de apreciação dos automóveis. E quando souber talvez já tenha sido tarde demais para mudar seus hábitos.
Eu não vou à nenhum "encontro" secreto de ditos cujos gearheads, porque sei que a maioria dos marmanjinhos ali não tem um excelente conhecimento ou uma vasta biblioteca automotiva na cabeça para apreciar as coisas do jeito certo. E isso é de praxe em todo lugar do mundo. Se você é desvalorizado porque outro mané não vai bem com alguma "imagem" que o seu carro representa na cabeça dele, poderia usar essa desculpa para começar a gostar de carros de maneira solitária.
Já é ruim lidar com essa massa de bilhões de homens idiotas querendo ser mais "espertos" do que outros ao entrar no mercado automotivo para brincar de quem é o maior sofredor ao adquirir uma lasanha podre cuidadosamente mascarada de bonita. E quantos ditos cujos "playboys" acham que o dinheiro encurta o caminho para qualquer coisa? Talento certamente não é um objetivo que pode ser alcançado com dinheiro. Deveria ser algo mais claro do que a água, mas... vale tudo pela exposição de ter uma jabiraca como um NSX ou Supra na garagem e ficar postando foto nas redes sociais.
Tô nem ligando pro exemplo do Vincent Zampella. Beijou o muro para a eternidade. Eu já sofri alguns acidentes, mas eu sempre soube da gravidade de qualquer tipo de acidente. E os que eu sofri foram ainda mais bobos do que o dele. Felizmente não sou um americano para achar que o meu lifestyle deve ser copiado ou propagandeado por aí. Até mesmo este blog e todas as opiniões dele vão exatamente contra quem acha que a cultura automotiva deve representar essa "aura" de violência. Eu detesto machões como os que aparecem em Velozes & Furiosos. Aquilo ali nunca foi exemplo masculinidade - exceto, obviamente, de uma masculinidade auto-escravizante. Homens que, apesar de bem pagos, vivem mais para servirem de escravos de si mesmos numa sociedade sempre correndo atrás do próprio rabo.
Automóveis são belas máquinas, porém exigem extrema delicadeza e sensibilidade romântica para serem apreciadas como devem ser. De fato, a maioria das pessoas que compra um Savanna, Fairlady, California, Boxster, Cayman, Huracán, 86, Supra e afins, deveria se questionar primeiramente se elas realmente tem essa atração NATURAL para esse tipo de carro. É claramente carro pra virgem, carro para solteiro, carro para quem não tem filhos. Carro pra quem já definiu uma vida de absoluta liberdade sem encheção de saco da família ou sociedade. É um contrato vitalício que cobra caro de quem ousa quebrar ele.
As pessoas viciam em dopamina, viciam em querer saber ou fazer algo que nem elas direito pararam para pesquisar. E a interatividade da internet, que antes era mais restrita ao que só podia ser descrito por palavras, hoje chega como uma droga no formato de video. Eu gosto da palavra, da leitura. Você tem que se esforçar para entender a mensagem e ainda buscar o significado delas por conta própria. Por isso eu amo o formato sadio do blog em relação às redes sociais voltadas aos perfis personalizados e algorítmicos.
Para mim, a cultura automotiva jamais deve ser violenta. Nem através dos idiotas que se consideram excelentes pilotos (e tomariam uma bela bucha de meninas que pilotam na F1 Academy), nem através das demonstrações fúteis de riqueza e ostentação (até porque, a maioria aqui não entende como funciona o básico da economia).
Kiss-Kiss!

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