Eis aqui o material que me fez ser excluído naturalmente da comunidade GearheadsBR do Reddit. Só porque eu fui criticar um carro que é tão normal quanto qualquer outro na existência humana hehehe. Mas eu que sou tuner fico bem desconfiado de como as receitas de preparação geralmente envolvem doses colossais de expectativas em um produto que não foi pesquisado afundo por quem o possui.
Você pagaria R$ 200.000 num Prelude tunado? Eu pagaria... desde que o carro correspondesse às minhas expectativas. Sim, já vi um Prelude de 2 motores lá nos USA e confesso que saiu até mais barato do que esse anunciado no OLX Brasil. Vamos mergulhar nessa barcaça?
Aqui vai ser rapidinho, porque o maluco decidiu colocar a receita dele no anúncio. Mas, eu quero ir ponto à ponto como se fosse o meu jeito de tunar no Gran Turismo 2, pra gente ter uma noção do que a gente tem pela frente.
Pra começar temos o carro. Um Honda Prelude de 4ª geração. O que me acende o sinal vermelho é o fato do carro ter o motor I-4 de 2.3 litros (H23A1) que tem 87 mm diâmetro e 95 mm e curso. Ou seja: empilhadeira. Nada contra, mas eu esperava o queridinho H22 de 2.2 litros (87 mm diâmetro x 90 mm curso) que dá pra brincar mais nas altas rotações. O cabeçote DOHC até ajuda a empurrar as rotações até 75% do conta-giros, mas o carro já está sem fôlego desde os 50%. Isso é o efeito prático de um motor que privilegia mais o torque do que a potência.
Além disso, mesmo o carro sendo manual 5 marchas, o que me desanimaria é o fato dele vir com um punhadinho de opcionais que só aumentam o peso. No caso: ar condicionado e teto solar. Num coupe esportivo compacto de 2 portas eu até posso perdoar vidros elétricos, travas elétricas e o rádio pra CD, cassete, USB, WiFi e bluetooth. Só que, antes de falarmos como o carro foi "decorado", precisamos entender a base na qual ele se sustenta.
E por fim temos a roupagem do carro que fica parecendo um Prelude "Type-R" de fábrica. Mas eu mesmo confesso que essa parte do tuning é completamente do gosto do dono.
Resultado final? Inaproveitável.
O que foi investido nesse motor certamente foi para alcançar o máximo de 400 cv, porém eu não duvido que uma Elba ou Premio mais aliviados e com um swap de 1.8 de Marea e despejando 250 cv não seja mais do que o necessário para dar pau nesse Prelude num circuito. Mesmo os 1.6 do Tipo dão conta tranquilo em virtude do pouco peso da carroceria aliado a um motor girador. Faltou o motor H22, e nem mesmo o VTEC vai conseguir empurrar esse carro de uma forma gostosa. Você vai brigar muito mais com o contagiros do que com o resto do carro. Para quem quer ser só mais um bobo-alegre no trânsito, está de boas. Talvez um Prelude bem básico, de 250 cv aspirado, todo aliviado mas com reforços estruturais e um acerto de suspensão fino e até usando rodas aro 15 seria uma receita mais barata e melhor.
Claro, digo isso pensando no uso misto do carro, track day e diário. E olha que o consumo desses 400 cv no turbo não deve ficar diferente de uma receita mais básica. No próprio Gran Turismo 2 eu só precisei de um Prelude basicão pra fazer uma receita melhor do que a da vida real. São 1150 kg para 250 cv, o que dá uma relação peso potência de 4.6 kg/cv. Mas... gastei uma balinha certeira criando um carro viciante de dirigir, um carro que conseguiria ser econômico e esportivo na vida real. Os 3.1 kg/cv do modelo à venda talvez não se traduzam numa performance boa além dos 200 m de arrancada.
E a FIPE acertou o preço real dessa geração do Prelude no Brasil.





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