quarta-feira, 1 de julho de 2026

Não sou um problema geracional!

Acontece é que as pessoas mais velhas sempre ficam com ressentimento das mais jovens. Mas, na prática mesmo, pensar demais sobre isso ou até mesmo querer pensar sobre isso pode levar a um problema.

Eu nasci em 1996, então tenho 30 anos de idade. Mas... o que é o tempo quando se tem o conhecimento e os recursos? O conceito ocidental de tempo é algo meio ruim. Em se tratando de carros então... é o fim do mundo que faz com que pessoas mais novas não tenham acesso às coisas velhas. Coisas velhas que não tem 50% do aproveitamento técnico dos produtos atuais. Mas isto não é um ataque, é apenas uma observação clara dos dados.

O carro da minha mãe tem exatamente um ano a menos do que eu, mas eu mesmo confesso que cometi um erro quando era mais jovem, ao desejar carros que já eram jeringonças nojentas nos 2000s. Carburador? Parachoques cromados? Meus queridos, a injeção indireta de combustível e o comando de válvulas no cabeçote já foi testada e provada com total eficácia nos aeroplanos, navios e locomotivas dos 1910s! Somente o começo de uma guerra em 1914 colocou uma terrível pausa numa "época de ouro" da engenharia que vinha se esticando desde que Napoleão havia se coroado rei da França. Não me venham falar que o tal do século 20 foi uma maravilha. Não foi mesmo. O ápice da bipolaridade e burrice ocidental.

Sim, Bonaparte tinha sua esquadrilha de balonistas já nos 1790s!

O que diria um homem de 50 anos que vivia em 1950, sobre o mundo dos 2020s? Que talvez a tecnologia estava adentrando demais nossas vidas? Que todas essas comodidades teriam um preço bem caro? Que tudo seria só merda dali pra frente? Ora, tive que ler uma reportagem no The Drive, dizendo que nenhuma geração confia na tal "geração Z" para trocar um pneu na estrada. Link: https://www.thedrive.com/news/nobody-on-earth-believes-gen-z-can-handle-basic-car-maintenance

Mas, ainda sim eu tenho que fingir e acreditar que os "mais velhos" sabiam que o carburador era a melhor coisa do mundo. Não era mesmo! Sempre foi uma porcaria! Acontece que as gerações mais velhas sempre querem transmitir seu conhecimentos e valores, mas de uma forma praticamente unilateral em sem críticas. Mesmo nos 1980s, poderia ter quem achasse um Skyline R30 um carro excessivamente moderno para a época. Essa reclamação é comum da humanidade inteira.

Foi nos 2010s que fiz meu curso de mecânica automotiva. Provavelmente sei muito mais sobre motores porque, nessa idade, pesquisei a fundo sobre os aeroplanos e navios de 1914 à 1918. Como aqueles moleques de 20-25 anos de idade lutavam ou sobreviviam com aquelas pipas motorizadas? Naturalmente, eles tinham que ser bons de mecânica também. Aliás, isso é mostrado no filme Rush (2013). Lauda era um exímio mecânico em comparação ao Hunt, um mecânico que gostava de pilotar. Três campeonatos mundiais. É por isso que amo automobilismo, sem exceções.

Não faz muito tempo que o debate entre o vinil e o CD foi acalorado nos 2010s, com diversas pessoas entre críticos musicais, artistas, fãs e produtores, cada um dando o seu pitaco. Qual é o melhor sistema gravador? Tecnicamente é o de gravação digital que consegue captar com altíssima qualidade. Qual é o melhor reprodutor? Vai depender da qualidade por quem está exigindo os parâmetros de qualidade na reprodução. Ou seja, as pessoas e o mercado atual porra! É justamente por isso que passei a ser mais espontâneo com tudo que existe de material nesse mundo. As pessoas estão sempre correndo atrás do próprio rabo à toa. Se repetindo em modismos que eu já sei que sempre vão ocorrer. Ou seja, não estou perdendo absolutamente nada.

Sabem porquê eu considero as décadas de 1880 à 1910 como uma das eras de ouro do automóvel? Porque era justamente tudo muito novo, as pessoas se sentiam verdadeiramente livres para criar, competir e se deliciar com tudo isso. É fácil você ser induzido a gostar de um Cadillac 1959, porque ele pertence a uma época de padronização racional. Não tem nada que pudesse ressaltar algo como "quebrar os padrões" nele. Muito pelo contrário; ele foi feito para ser o ápice da ostentação norte-americana, tudo devidamente dentro de um padrão de consumo. E quando você olha para o que realmente ele oferecia, não havia nada além do desenho da carroceria. Nenhum equipamento de alta performance, somente a mesma conveniência numa tecnologia que já era mais do mesmo uns 30 anos antes dele.

Estamos vivendo mais uma era de ouro, que certamente teve um início em 1980 mas só conseguiu se afirmar nos 1990s. E não preciso me preocupar com o que as pessoas mais velhas, e menos ainda as mais novas, irão falar de mim. Não nasci para ser problema geracional, a vida neste mundo é um privilégio que podemos descobrir olhando nossa trajetória e sempre buscando nos questionarmos para fugirmos das expectativas e do previsível. Mas, se a maioria das pessoas ainda prefere a bolha de segurança, então só posso encarar isso do modo pessoal e dizer ♪♫...au revoir!!...♪♫ para elas.

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