É talvez uma das Ferrari de competição mais lindas que eu já vi. Só é uma pena que a confiabilidade tenha sido abusada pelos pilotos da época e que a manutenção dela tenha sido tão porca. A parte mais curiosa é que a 312-P nasceu de uma chatice que não veio da Europa, mas sim pelo fato dos americanos terem vencido diversas provas de endurance com o Ford GT40. A queridinha da FIA começou a endurecer as regras e foi ficando mais difícil para diversos fabricantes participarem. Isso deu gás para uma investida de novatas como a Porsche e diversos outros construtores pequenos, mas a 312-P (junto com o GT40 MK-3) teriam sido alguns dos melhores competidores da época.
Por onde começar, né?
O motor era mais um da linhagem desenhada por Gioacchino Colombo. Um V12 de 3.0 litros com 60º entre cada bancada. Diâmetro de 78.5 mm e curso de 51.5 mm garantiam altas rotações. Compressão de 11,5:1, potência máxima de 450 cv. Agora sim temos uma potência específica e magnífica de 150 cv por litro já naquela época! Era um DOHC 48 válvulas, injeção direta e já com a ignição eletrônica moderninha pra época, sistema de lubrificação do tipo "bacia seca" e embreagem multi-disco. Dá pra desejar mais do que isso? Só se você for um fanático da Porsche ou Bugatti. Chassi tubular, suspensão dianteira e traseira independentes do tipo "duplo A" ou "wishbone", molas espirais e amortecedores cilíndricos simples, freios a disco nas quatro rodas, caixa de 5 marchas com ré. As rodas são aro 15 com pneus que eu avaliei como 255 mm na frente e 335 mm atrás, de altura 50 ou 55 mm. Isso porque eu tentei correr atrás dos sites oficiais com dados sobre esse modelo. Ainda sim, muita aderência. De carroceria temos 3.50 m de comprimento total, 1.88 m de largura, 95 cm de altura, entre-eixos de 2.22 m e peso total de 600 kg. Só a proporção de base dessa belezinha é de 1.18, o que a torna um verdadeiro kart e deve ser uma delícia absurda de ser usada no drift e rally. Me perdoem os fãs do Audi Quattro.
Mas o que era a 312-P?
Na minha interpretação, um carro para corridas rápidas. Hoje seria o rally e drifting, talvez um touring de curta duração, mas o erro foi ser usado em provas de resistência, longa duração. Naquele momento, a Ferrari realmente decidiu focar mais na Formula 1 e passou apenas a fornecer o resto de seus produtos e conhecimento para competidores independentes em outras categorias. Se a 312-P fosse oferecida como carro de produção e homologado para diversos tipos de competição, não me restam dúvidas de que a Ford tentaria ao menos alguma coisa no mesmo sentido com o GT40 MK-3.


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